No dia 19 de abril, historicamente comemora-se nacionalmente o Dia do Índio. A data tem inicialmente como propósito, homenagear os nativos mais brasileiros que os demais brasileiros, considerando que, mesmo antes da colonização portuguesa do nosso Brasil, os índios já habitavam nosso país de Norte a Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.
No entanto, há exatamente 526 anos, os povos originários brasileiros têm sido discriminados e aculturados por ainda serem considerados como brasileiros inferiores.
Com uma rica cultura milenar, apesar dos avanços políticos que de certa forma têm tentado resgatar as tradições dos povos das selvas brasileiras, na Região Norte, em particular, onde se concentram a maioria das etnias indígenas amazônicas e brasileiras em geral, com a proliferação dos madeireiros, garimpeiros, contrabandistas da fauna e flora, como também os agropecuários, os indígenas gradativamente vêm sendo expulsos de suas terras, quando não são exterminados por doenças plantadas por aqueles que invadem suas terras.
Em consequência destes desmandos, que têm contado com o aval de políticos e juristas corruptos, a saga de sofrimento dos indígenas brasileiros tem continuidade.
Apesar de alguns líderes indígenas já terem chegado ao nosso Congresso Nacional e Senado, onde levantaram suas vozes em defesa de seus irmãos de raça, conseguiram conquistar, considerando o preconceito e a discriminação social que ainda pairam em nosso território nacional onde eles estejam.
Portanto, para muitos líderes indígenas e indigenistas, o dia 19 de abril é apenas uma data a ser lembrada em nosso calendário como o Dia Nacional do Índio, e que não há muito o que se comemorar nesse dia. É preciso lembrar que a cultura brasileira, de um modo geral, tem recebido influência da cultura milenar indígena, seja nos segmentos da dança, música, credos, culinária e até mesmo no respeito a cada um dos seus indivíduos, que não impõem poder pelo poder econômico e social, em que são tratados como iguais.
Sou da opinião de que o 19 de abril deve ser uma data para que possamos refletir melhor sobre o que os povos das selvas têm a nos oferecer, para que a nossa sociedade brasileira seja muito mais enriquecida com a influência das tradições culturais de nossos indígenas.
Infelizmente, em decorrência da proliferação nas escolas de ensino fundamental e médio, fomos informados de que os índios eram povos preguiçosos e de costumes esquisitos; esse conceito não condizia com a realidade. O que gerou ainda mais a cultura da discriminação e a falta de respeito ao legado de milhares de anos que os povos das selvas passam até hoje de pai para filho, a fim de que, apesar do relevante processo acelerado da aculturação de muitos índios que hoje vivem nos centros urbanos brasileiros, sobrevivam diante de tanto sofrimento por serem discriminados no seu habitat natural, onde falta o básico para sobreviver.
Lembremos que a Índia Suruí, de Rondônia, já subiu ao pódio da Organização das Nações Unidas (ONU), onde gritou para o mundo ouvir como os indígenas brasileiros não têm sido merecidamente respeitados num mundo soberbo, onde predomina o poder econômico que valoriza muito mais a cultura de seus colonizadores do que a importância da cultura nativa dos povos das selvas.
Fonte: Imagem da Internet
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