De forma poética, podemos assim dizer que a poesia está para o coração como o espírito está para a alma. Sem religião, o ser humano se torna frio, sem amor a si e ao próximo, sem a plena compreensão da importância de servir e de amar. Assim é com a poesia, cuja ausência no coração do homem o torna incapaz de se comunicar com subjetividade e de possuir uma expressão marcada pela revelação de pensamentos, sentimentos e estados de espírito.
A poesia está tão atrelada ao sentimento humano que sua origem antecede a escrita e remonta às primeiras formas de linguagem articulada dos seres humanos. Há registros apontando que, originalmente, ela surgiu como uma tradição oral ligada ao canto e ao ritmo, servindo como uma ferramenta para facilitar a memorização de histórias e ritos.
Essa forma de expressão foi utilizada em obras antigas, tais como os Vedas indianos (1700–1200 a.C.) e os Gathas de Zoroastro (1200–900 a.C.). Utilizada nessas composições, a forma poética ajudou na memorização e na transmissão oral das histórias das sociedades antigas e pré-históricas.
Entre os principais registros de poesias antigas, destacam-se os poemas épicos como a Epopeia de Gilgamexe, originada na Mesopotâmia, em escrita cuneiforme em tabletes de argila, e, posteriormente, a epopeia grega Ilíada e Odisseia; os livros iranianos antigos Gathas, Avesta e Yasna; e os épicos indianos Ramayana e Mahabharata.
Pensadores antigos se propuseram a determinar o estudo da estética da poesia, chamado de poética. Merece destaque na tradição ocidental o filósofo Aristóteles (384–322 a.C.). Já em sociedades antigas orientais, como a chinesa, esse campo avançou através do Shi Jing (Clássico da Poesia) da tradição do confucionismo.
Engana-se quem pensa que a poesia é só falada ou escrita; devido à abrangência da sua forma estética e por sua mensagem poética, em sentido mais amplo ela se define como a própria arte e pode ser contemplada em diversas formas de expressão, como na pintura, na escultura, na música, na fotografia e até mesmo em pequenas situações do cotidiano. Quem nunca ouviu a frase: “sua oratória é uma verdadeira poesia”? Ou “o mar hoje está poético”? A depender do ponto de vista do poeta, uma flor desabrochando é um gesto pleno de poesia contemplativa.
Cada poeta tem uma forma e um contexto próprios de se expressar. Por isso, as diferenças formais e contextuais da poesia tornaram-se objeto de estudos recentes que buscam uma definição que possa abranger tais diferenças nas expressões poéticas. Com o objetivo de traçar a evolução do conceito de poesia, o historiador polonês Wladyslaw Tatarkiewicz afirma que existem dois conceitos que podem defini-la.
Considerando que o termo poesia é aplicado a dois objetos distintos, o autor assinala que o primeiro conceito é o de “arte baseada na linguagem” e o segundo assume um significado mais geral, como “estado da mente”.
Cabe ressaltar que o contexto é essencial para o desenvolvimento do gênero e da forma poética. As poesias que registram eventos históricos de forma épica, por exemplo, são narrativas mais longas, enquanto poesias litúrgicas, como hinos e salmos, são mais curtas e adotam um tom de inspiração espontânea.
Para uma melhor compreensão da poesia, foi preciso classificá-la com base em suas características: poesia lírica, poesia épica e poesia dramática. Vejamos cada uma delas:
Poesia lírica: caracterizada pela subjetividade, a poesia lírica é aquela na qual o poeta expressa sua visão de mundo, sua realidade e seus sentimentos, com atenção para a estética, a técnica e a métrica. Com estética apurada, os textos líricos são escritos em versos e possuem linguagem elaborada, apego à forma estrutural. A poesia lírica é formada por métrica, verso e rima.
Poesia épica: marcada pela objetividade, na poesia épica apresentam-se os fatos que são considerados importantes para o poeta. O texto predominante nesse gênero, geralmente, é narrativo, de longa extensão e eloquente. A poesia épica aborda temas como guerra ou outras situações extremas. Ela revela ecos das ações heroicas, preocupando-se com a constituição formal e demonstrando atenção a temas e técnicas poéticas.
Poesia dramática: a poesia dramática possui caráter duplo, apresentando características de subjetividade e objetividade, predominando aspectos dos gêneros épico e lírico. Apesar de manter a narrativa épica, transfigurava os narradores em personagens das ações, de modo que retrata seus estados emotivos, conferindo assim um caráter lírico.
É importante que o leitor ou entusiasta da poesia esteja aberto às diferentes experiências sensoriais para que possa ter uma compreensão plena, uma vez que a poesia se encontra no campo das emoções e se manifesta através de palavras, imagens, sons e cores, sobretudo quando esses elementos estão carregados de sentimentalidade.
Muitas pessoas costumam confundir poema com poesia, ainda que um (embora nem sempre) esteja ligado ao outro. Vejamos o conceito de cada um deles e como empregá-los.
De acordo com a professora Fabiana Dias, o poema faz parte dos gêneros literários, apresentando características formais e temáticas que permitem sua identificação entre os outros gêneros. Já a poesia pode ser as mais diversas manifestações artísticas, seja na literatura, nas artes plásticas, na fotografia, na música ou no cinema.
A poesia não é, necessariamente, um texto, mas tudo aquilo que de alguma forma encanta ou inspira. Ou seja, qualquer forma de arte que sensibiliza e desperta sentimentos. O poema, por sua vez, possui uma composição formal com versos estruturados de forma harmoniosa, na qual a estética se apresenta em forma de palavras.
“Assim, seria um equívoco considerar a poesia como um gênero literário ou mesmo usá-la como sinônimo de poema, uma vez que se trata de algo muito mais amplo que contempla as mais variadas formas de expressão”, conclui Fabiana Dias.
Abaixo estão os principais pontos sobre a sua importância em diferentes contextos:
Desenvolvimento Humano e Social
• Expressão e empatia: a poesia ensina a olhar para o outro com empatia e a escutar os próprios sentimentos, promovendo valores como solidariedade, justiça e beleza.
• Refúgio e conexão: em tempos de crise, atua como “profissão e refúgio”, conectando pessoas através da sensibilidade compartilhada por poetas como Fernando Pessoa.
• Formação crítica: estimula a formação de leitores crítico-reflexivos, capazes de interpretar os valores da sociedade de forma ampla.
Educação e infância
• Alfabetização e linguagem: é uma ferramenta lúdica essencial na alfabetização, ajudando no desenvolvimento da fala e da criatividade por meio de rimas e jogos de palavras.
• Estímulo ao imaginário: ajuda a construir o repertório visual e emocional das crianças, oferecendo “pausas” em um cotidiano dominado por telas.
• O legado cultural: A poesia preserva a memória e a identidade de um povo. No Brasil, o Dia Nacional da Poesia celebra autores como Castro Alves e Carlos Drummond de Andrade.
• Benefícios cognitivos: melhora a percepção do mundo e a capacidade de memorização através da musicalidade dos versos.
A poesia em Cabedelo
Cabedelo, na Paraíba, possui uma tradição poética vibrante, consolidada por figuras históricas e por uma sociedade literária ativa que preserva a memória e estimula novos talentos.
• Aderbal Piragibe: considerado o mais ilustre poeta e jornalista de Cabedelo. Em 2025, celebrou-se o marco de 130 anos de seu nascimento, sendo uma figura central para a identidade cultural da cidade.
• Sociedade Cabedelense de Escritores e Poetas (SCEP)
A cidade conta com a S.C.E.P., uma instituição fundamental para a organização e visibilidade dos poetas locais.
Embora alguns poetas atuem em toda a Paraíba, nomes como Hermes do Nascimento são frequentemente citados em contextos culturais que abrangem a região metropolitana de João Pessoa, onde Cabedelo se insere.
Dentre os diversos poetas ligados a Cabedelo destacam-se: Roseleide Farias, Fátima Peixoto, Gerusa Guedes, José Pereira, Diná Fernandes, Judite Ferreira, Wellington Costa, Josimar Cardoso, Edvaldo Nunes, Sandra Flor, Gracinha Fianca, Ione Ribeiro, Tadeu Patrício, Vitória Kely, Aury Albuquerque, Élio Pimenta, Vandicleia Santos, Jacira Pereira, Antônio Muniz, Aristoteles Mendes, Guibson Medeiros, Edna França, Inês Silva, dentre outros.
Praia do Jacaré
(José Pereira)
Jacaré nasceu pra o mundo
Através da melodia
Do Bolero de Ravel
Tocado todos os dias.
No verão cabedelense
Na praia do Jacaré
Jurandir do Sax, convida
Homem, menino e mulher.
De branco numa canoa
Nas águas vagando à toa
Nos convida a ver o pôr-do-sol
Ouvir, sentir, Ravel e o arrebol.
É um espetáculo da natureza
Que só na Paraíba tem
Onde o sol nasce primeiro
Primeiro se esconde também.
Braço de mar, rio, ilhas ao longe
Onde o sol seus raios expande
Mostrando para o visitante
Toda a beleza que tem.
É uma paisagem exuberante
Quem já viu se apaixonou
É um lugar onde a natureza
Transmite paz e amor.
Este é um dos pontos turísticos
Visitado todos os dias
Quem ama a natureza
Se encanta com a beleza
Se enche de alegria.
Fonte:
• Wellington Costa
• www.educamaisbrasil.com.br
Fundada em 20 de abril de 2010, a Sociedade Cabedelense de Escritores e Poetas é uma entidade de caráter cultural, sem fins lucrativos, com sede na cidade de Cabedelo.
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