Neste ano de 2025, mais precisamente no mês de maio, Aderbal Piragibe, teria completado 130 anos, se estivesse vivo. Nesse contexto, decidimos publicar esta coluna em memória do mais ilustre poeta e jornalista cabedelense.
Aderbal Piragibe, nasceu no dia 06 de maio de 1895, em Cabedelo. Foi subprefeito de Cabedelo em 1937, na gestão do então prefeito da Capital, o interventor Joaquim Pessoa Cavalcanti.
Jornalista e poeta, não se contentava em apenas observar, ele interagia e expressava vida e dinamismo em seus escritos. Iniciou seus estudos no Grupo Escolar Pedro Américo, em Cabedelo e depois, foi estudar no Lyceu Paraibano, onde teve Arthur Coelho e João Pessoa, como colegas de turma.
Sua paixão pelas ideias que defendia o levou aos palanques, às ruas, aos jornais e ao coração do povo. Escreveu em A União, Correio da Manhã, O Liberal e O Norte. O mais ilustre poeta e jornalista cabedelense, foi decidido ativista em favor das ideias da Aliança Liberal, apesar de ter sido amigo do advogado João Dantas, responsável pelo assassinato do então presidente da Paraíba, João Pessoa Cavalcante de Albuquerque, exatamente o estopim da Revolução Liberal de 1930.
Tomou parte em muitas campanhas cívicas e polêmicas jornalísticas. Era um boêmio intelectual à moda de Paula Nei, Emílio de Menezes e outros.
Vitorioso o levante, se incorporou entre seus principais defensores, na Paraíba. “Hontem, fomos um vulcão chamejante, com a cratera escancarada à tyramnia. Hoje, somos um oásis tranquilo, onde o trabalho productivo e honesto exalça e dignifica um povo talhado ao benéfico amanho da terra”, escreveu ele na capa de A União, de 20 de julho de 1935, em favor de teses do então interventor Argemiro de Figueiredo.
Homenagens

Ao que temos conhecimento, em Cabedelo há apenas o nome de uma rua que já foi muito importante, porém, hoje sem muito movimento, no Centro da cidade e uma biblioteca pública, que leva também o seu nome.
Em 1938, publicou o livro “Paraíba Anedótica”, humorizando pessoas e fatos de sua época. Faleceu aos 44 anos, em julho de 1940, na Capital dos paraibanos.
Em 1941, a Associação Paraibana de Imprensa, intensificou um movimento defendendo uma homenagem a Aderbal Piragibe na Capital, o que terminou acontecendo, quando seu nome foi dado a uma rua de relativo trânsito, também se prestando a moradias e negócios, entre a Praça General João Neiva/Avenida Doze de Outubro/Avenida 1º de Maio (altura da Igreja do Rosário e do Centro Administrativo do Governo da Paraíba) e a Monsenhor Almeida, no tradicional bairro de Jaguaribe.
Das suas produções poéticas, divulgadas e conhecidas, damos abaixo — HOSPITALIDADE — que se encontra no livro “Cancioneiros do Norte”, de autoria do poeta e jurista José Rodrigues de Carvalho, 2.ª edição, Paraíba — 1928.
HOSPITALIDADE
Dona Esperança,
Toda de verde,
Bateu um dia no meu solar.
Abri-lhe a porta,
Fiz cortesias,
Dona Esperança não quis entrar. . .
Dona Tristeza chegou depois:
— Trajava luto;
Que olhar sombrio!
Abri-lhe a porta, chovia muito,
Soprava o vento, fazia frio.
Entrou chorando.
Pediu-me abrigo,
E ainda hoje mora comigo.
(Página publicada em julho de 2019)
Curiosidades de Aderbal Piragibe
Já faz um tempo que, dentre tantos outros projetos literários, eu trabalho em mais um que tomei a ousadia de batizar-lhe de “Cabedelo – da colonização ao século XXI”. Não sei se irei concluí-lo antes de viajar para o céu das andorinhas, mas já andei escrevendo algumas páginas. Imerso em minhas pesquisas ao lusco-fusco, encontrei um fato que, apesar de cômico, bem que poderia ser trágico, envolvendo o cabedelense Aderbal Piragibe.
Aderbal, para os mais jovens, foi um jornalista e habilidoso poeta cabedelense que, ,, é muito mal divulgado e reconhecido na cidade que lhe serviu de berço.
O fato envolveu Aderbal Piragibe que, segundo Joacil de Brito, “era um panfletário de sete fôlegos” e o jornalista Antônio Bôtto de Menezes, que na época, dirigia o jornal O Combate, que circulava em João Pessoa.
Bôtto de Menezes estava em uma conflitante polêmica jornalística com Aderbal travada através das letras. Bôtto usando o jornal O Combate e Aderbal seus panfletos extremamente populares quando Bôtto de Meneses se envolveu em um romance secreto, secreto por motivos até então “desconhecidos”, exceto para Aderbal.
Segundo Joacil Pereira, contou-se que em uma dessas noites calientes com seu romance secreto, e agora sim sabe-se o motivo, Bôtto pulou o muro da casa da mulher com quem namorava secretamente e não teve tempo de vestir a roupa toda porque o marido atirava no fundo do muro ao qual ele pulou desesperadamente. Os estudantes, contemporâneos seus, para galhofar-lhe, cantavam uma modinha horrível que dizia:
Ai, Margarida, ai, Margarida!
Eu vi Antônio Bôtto seminu pela avenida.
Ao responder a uma das provocações de Antônio Bôtto, Aderbal que não era de ficar para trás, escreveu um artigo mencionando este episódio.
Indignado com a exposição do caso e, como Aderbal Piragibe fez menção ao fato, Bôtto também fez um artigo violento no seu jornal O COMBATE e foi matar Aderbal no antigo Café Moderno, que ficava onde foi a Farmácia Régis, no Ponto de Cem Réis, no Centro da Capital.
Bôtto atirou em Aderbal, que se escondeu por trás dumas latas de doce empilhadas. No final de contas, Bôtto errou todos os tiros. Então Aderbal faz outro artigo com nova provocação em cima de Bôtto, que termina assim: “Bôtto, a poeira por mais que se levante do solo, tangida pelos ventos, é sempre pó. A ostra, ainda que esteja submersa nos fundos dos oceanos, é sempre ostra. Não sobreviverás à tua infâmia”. E não se teve mais notícias da continuidade da provocação.
Fonte: Wellington Costa / Sérgio Botelho / Antônio Miranda
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